Mamografia aos 40 ou aos 50? O que mudou de verdade em 2025
A notícia circulou de forma simplificada e deixou muita gente confusa. Entenda com precisão o que o Ministério da Saúde alterou, e por que as recomendações continuam diferentes.
Em setembro de 2025 as manchetes anunciaram que o Ministério da Saúde passaria a recomendar mamografia a partir dos 40 anos. A informação circulou rápido, chegou simplificada, e deixou uma dúvida honesta: afinal, começo aos 40 ou aos 50?
A resposta exige uma distinção que as manchetes não fizeram — e ela muda o entendimento.
O que mudou, com precisão
O que houve foi uma padronização do acesso, não uma extensão do rastreamento de rotina.
Segundo o INCA, o rastreamento mamográfico populacional no SUS deve ser realizado em mulheres entre 50 e 74 anos, a cada dois anos. Ao mesmo tempo, o SUS não restringe o acesso das mulheres entre 40 e 49 anos e acima de 74, sem sinais ou sintomas suspeitos, que desejarem realizar a mamografia por demanda — desde que sejam orientadas por profissionais de saúde sobre os possíveis riscos e benefícios.
Houve também uma mudança no limite superior: o teto do rastreamento subiu de 69 para 74 anos.
Por que as recomendações divergem
Essa é a parte que costuma ser omitida, e é justamente a que ajuda a decidir.
O INCA sustenta a faixa de 50 a 74 com um argumento técnico: a mamografia enxerga com menos precisão em mulheres mais jovens. A sensibilidade do exame fica entre 53% e 77% em mulheres mais jovens, contra cerca de 88% na faixa de 50 a 69 anos. Mama mais densa, imagem menos conclusiva — o que significa mais resultados que exigem nova investigação sem que haja doença.
Do outro lado, há o dado de que a faixa dos 40 aos 49 anos concentra cerca de 23% dos casos de câncer de mama. Não é um número pequeno, e é o que sustenta a posição de sociedades médicas que defendem começar mais cedo.
- Rastreamento populacional do SUS: 50 a 74 anos, a cada dois anos
- Acesso garantido por demanda: 40 a 49 anos e acima de 74, com orientação profissional
- A revisão do INCA se baseou em 16 metanálises e 8 ensaios clínicos randomizados
Então eu devo ou não fazer aos 40?
Essa é uma decisão para conversar com o seu médico, levando em conta o seu histórico familiar e pessoal. O que mudou é que, se essa for a decisão de vocês, o acesso está garantido.
Fiz mamografia e pediram também um ultrassom. Por quê?
São exames que mostram coisas diferentes e se complementam. Essa combinação é comum, sobretudo quando a mama é mais densa, e não indica por si só que algo foi encontrado.
Uma observação sobre o que você lê
Vale um cuidado com o que circula sobre esse assunto. Muita informação publicada ainda repete a régua anterior, e boa parte das notícias sobre a mudança de 2025 a resumiu de um jeito que altera o sentido.
Se ficou alguma dúvida sobre o seu caso, converse com o seu médico. Aqui, estamos disponíveis para esclarecer o que for do nosso alcance.
Revisão técnica
Dra. Cinthia Manzano Menegatti · Ginecologia e Obstetrícia
CRM/SC 16686 · RQE 16792
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