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Saúde da mulher12 de agosto de 2026· 3 min de leitura

Mamografia aos 40 ou aos 50? O que mudou de verdade em 2025

A notícia circulou de forma simplificada e deixou muita gente confusa. Entenda com precisão o que o Ministério da Saúde alterou, e por que as recomendações continuam diferentes.

Em setembro de 2025 as manchetes anunciaram que o Ministério da Saúde passaria a recomendar mamografia a partir dos 40 anos. A informação circulou rápido, chegou simplificada, e deixou uma dúvida honesta: afinal, começo aos 40 ou aos 50?

A resposta exige uma distinção que as manchetes não fizeram — e ela muda o entendimento.

O que mudou, com precisão

O que houve foi uma padronização do acesso, não uma extensão do rastreamento de rotina.

Segundo o INCA, o rastreamento mamográfico populacional no SUS deve ser realizado em mulheres entre 50 e 74 anos, a cada dois anos. Ao mesmo tempo, o SUS não restringe o acesso das mulheres entre 40 e 49 anos e acima de 74, sem sinais ou sintomas suspeitos, que desejarem realizar a mamografia por demanda — desde que sejam orientadas por profissionais de saúde sobre os possíveis riscos e benefícios.

Houve também uma mudança no limite superior: o teto do rastreamento subiu de 69 para 74 anos.

Por que as recomendações divergem

Essa é a parte que costuma ser omitida, e é justamente a que ajuda a decidir.

O INCA sustenta a faixa de 50 a 74 com um argumento técnico: a mamografia enxerga com menos precisão em mulheres mais jovens. A sensibilidade do exame fica entre 53% e 77% em mulheres mais jovens, contra cerca de 88% na faixa de 50 a 69 anos. Mama mais densa, imagem menos conclusiva — o que significa mais resultados que exigem nova investigação sem que haja doença.

Do outro lado, há o dado de que a faixa dos 40 aos 49 anos concentra cerca de 23% dos casos de câncer de mama. Não é um número pequeno, e é o que sustenta a posição de sociedades médicas que defendem começar mais cedo.

  • Rastreamento populacional do SUS: 50 a 74 anos, a cada dois anos
  • Acesso garantido por demanda: 40 a 49 anos e acima de 74, com orientação profissional
  • A revisão do INCA se baseou em 16 metanálises e 8 ensaios clínicos randomizados

Então eu devo ou não fazer aos 40?

Essa é uma decisão para conversar com o seu médico, levando em conta o seu histórico familiar e pessoal. O que mudou é que, se essa for a decisão de vocês, o acesso está garantido.

Fiz mamografia e pediram também um ultrassom. Por quê?

São exames que mostram coisas diferentes e se complementam. Essa combinação é comum, sobretudo quando a mama é mais densa, e não indica por si só que algo foi encontrado.

Uma observação sobre o que você lê

Vale um cuidado com o que circula sobre esse assunto. Muita informação publicada ainda repete a régua anterior, e boa parte das notícias sobre a mudança de 2025 a resumiu de um jeito que altera o sentido.

Se ficou alguma dúvida sobre o seu caso, converse com o seu médico. Aqui, estamos disponíveis para esclarecer o que for do nosso alcance.

Revisão técnica

Dra. Cinthia Manzano Menegatti · Ginecologia e Obstetrícia
CRM/SC 16686 · RQE 16792

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